São Carlos, 19 de Julho de 2010.
Bater não resulta em respeito, mas em medo, defende psicóloga da Uniara Um projeto de lei encaminhado nesta quarta-feira, dia 14 de julho, para o Congresso Nacional prevê que "castigo corporal " e "tratamento cruel e degradante " sejam vistos como violações dos direitos na infância e adolescência. Para a psicóloga e mestre em Psicologia Escolar, professora Ana Cristina Alves Lima, docente do Centro Universitário de Araraquara - Uniara, esse projeto vem para regulamentar a descrição de "maus tratos ", de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, que não penalizava os pais, mesmo mediante denúncias, caso justificassem o ato como "medida corretiva ". Mas, vamos pensar, em que situações a agressão física é utilizada? Geralmente em momentos em que se perdeu a razão ou em que há um descontrole emocional (irritação e impaciência, entre outros), normalmente por parte do adulto, que num confronto físico, sempre levará vantagem. Segundo Ana Cristina, os pais não podem deixar que a situação chegue neste ponto. "Só fico preocupada com as possíveis distorções na execução desse projeto, de como ele será colocado em prática pelos órgãos competentes e de que precisa existir um projeto de lei para garantir que não haja violência em casa. Para mim, isso tudo é reflexo de falta de informação e educação, de como se relacionar com o outro. Vivemos em sociedade e aprendemos a respeitar os limites do outro, sem necessitar de confrontos físicos para que esse respeito seja conquistado. Perdeu-se a noção de autoridade, tanto pais como professores são desrespeitados por perdas de valores de convivência em sociedade ", explica Ana Cristina. Ela diz que no livro "Pais Presentes, Pais Ausentes ", de Paula Inez Gomide, a autora traz algumas informações e orientações para os pais. Uma delas enfatiza que por conta de tentar flexibilizar as regras ou até mesmo em represália à punição física, o diálogo começou a ser utilizado como uma tentativa de educar. No entanto, pais e professores têm se tornado aqueles que mais punem do que educam, esquecendo que o papel de educadores repercute em estabelecer regras, posar de modelo moral. A autora enfoca a importância do convívio familiar na formação da criança, pois é onde ela adquire os primeiros padrões de conduta e valores morais. É importante o estabelecimento de regras claras e possíveis de serem cumpridas, conferidas e aplicadas. "Não devem privar a criança de necessidades básicas, muito menos de carinho e afeto. Não podem ser acompanhadas de ameaças, mas também não devem ser frouxas, pois podem geram situações de manipulação emocional ou agressividade. " Para Ana Cristina, um detalhe importante é que os pais devem estar de acordo sobre as regras para que não caiam em contradição. Quanto à punição, agredir verbalmente pode ser tão ou mais prejudicial à criança do que a punição física, pois repercute em humilhação, rebaixamento da autoestima e torna a criança insegura. "Ela não aprende a "discriminar " entre o certo e o errado. Diante da "surra " aprende a ter medo e não respeito, pois o que deve ser corrigido é o comportamento. Os procedimentos punitivos para educar devem ser escolhidos de forma adequada, em benefício do comportamento e nunca mediados pela raiva. " A variação de humor pode tornar os valores confusos de forma que a criança nunca sabe o que fazer para agradar os pais. Consequentemente, a insegurança e instabilidade refletem na perda da autoridade dos pais, gerando ansiedade e agressividade na criança, que passa a não reconhecê-los como modelos morais.
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